
A última coisa que li sobre você foi que estava na delegacia. Conte um pouco sobre essa passagem por lá.
-Tive que prestar depoimento e fazer exame de “corpo delito”. Foi uma situação constrangedora. Eu já estava frouxo (ressalta que seu tamanho é 38) e ainda me viraram do avesso, amassaram e esticaram, não estava acostumado com isso.
Conte um pouco da sua história para os leitores.
-Eu tive uma criação tradicional. Sou da região do Bom Retiro em São Paulo e vim de uma confecção judia. Sempre fui bem tratado pelas modelistas e costureiras. Até na loja, a maioria das vendedoras eram carinhosas. Até que um dia, uma desesperada me vendeu pra um manequim maior que meu tamanho. Tentei argumentar, mas a louca da vendedora jogou seu chaveco. Fui comprado! Desde aí, minha vida não teve sossego.
(Enquanto ouço o trecho acima, percebo uma tensão em suas fibras, o entrevistado fica realmente abalado.)
Consegue nos contar mais?
-Prefiro manter em sigilo, disse tudo na delegacia. O principal o país todo já sabe. É um desaforo as pessoas me julgarem sem ao menos me conhecer, ou experimentar. Sei que há um preconceito em relação ao poliéster no Brasil, acho que isso contribuiu negativamente para minha imagem.
Você pretende aproveitar a fama repentina?
(Irritadíssimo!)
-Não estou dizendo?! Não foi intencional, não quis aparecer. Eu estava começando a aceitar minha cor, após 2 anos de terapia. Pretendia seguir minha vida, me tornar um vestido de baile. E agora não posso sair que as pessoas me olham, apontam. Já voltei para minhas sessões semanais. Quem sabe um dia, nesse país de desmemoriados eu consiga voltar a ser anônimo.
Tem alguma coisa que ainda gostaria de dizer?
-Só peço às pessoas que sejam menos preconceituosas e não julguem as roupas pela cor, fibra, ou região onde foi comprado. Experimentem, olhem no espelho, dêem uma voltinha para sentir o caimento. E principalmente não se deixem influenciar por vendedoras desesperadas
é preciso que as pessoas reflitam e passem a dar importância a verdadeira vítima da história.
ResponderExcluirA culpa mesmo é das vendedoras desesperadas. É simples...
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